Blog · Jornada
Por que eu nunca provei café de mercado
Tenho 40 anos e nunca tomei um café de mercado. Não por frescura: simplesmente aconteceu assim.
Até os 39, eu não tomava café nenhum. Em casa, o café sempre foi aquele tradicional, passado forte, que a família tomava com açúcar. O cheiro eu conhecia; o gosto, eu achava ruim só de imaginar. Nunca tive vontade de provar.
Aí comecei a cuidar do marketing de uma cafeteria de café especial. Passei meses ouvindo falar de origem, torra, processo, notas de chocolate, de fruta… e um dia provei. O primeiro gole da minha vida já foi de um café especial. E foi aí que eu entendi: o problema nunca foi o café. Era o café que eu conhecia.
Então café de mercado é ruim?
Não é isso que eu quero dizer. Muita gente toma café tradicional a vida toda e é feliz assim, e tá tudo bem. O que eu aprendi é que existe outro jeito de tomar café. O tradicional costuma ter torra bem escura, que deixa aquele amargo forte, e quase nunca diz de onde veio ou quando foi torrado. No especial, você sabe a fazenda, a região, a data de torra, e sente sabores que eu nem imaginava que café podia ter.
E agora?
Agora eu tô curioso. Quero fazer um teste às cegas: provar um café de mercado e um especial, sem saber qual é qual, e contar aqui o que eu senti. Vai ser a primeira vez na vida que eu provo café de mercado.
Se você toma café tradicional, minha dica é uma só: um dia, prove um especial sem açúcar. Só um gole. Depois me conta.
